Adolfo Loureiro

LOUREIRO, Adolfo (1836, Coimbra – 1911, Lisboa), formou-se em Matemática (Bacharel, 1856) na Universidade de Coimbra e em Engenharia Civil (1859). Entrou ainda na Escola do Exército (1858) onde seguiu carreira militar e nela beneficiou da sua formação académica – o que lhe proporcionou um périplo por mundos sínicos.

Neste âmbito, e no cumprimento da missão de assorear o porto de Macau, que o notabilizou como figura de renome, recebendo do Leal Senado (1884) a honra de ter o seu nome num arruamento.

Foi autor de mais de duas dezenas de publicações de carácter literário e profissional, mas destacou-se com o seu diário de viagem, No Oriente – De Nápoles à China (diário de viagem).

Em Macau, desenvolveu interessantes apontamentos acerca da cultura e sociedade chinesa. Acresce que contactou e privou com várias personalidades da época, nomeadamente com Demétrio Cinatti, Capitão do Porto de Macau e, com Eduardo Marques, reputado sinólogo e intérprete da Procuratura dos Negócios Sínicos de Macau.

Loureiro demonstrou ainda envergar uma postura crítica relativamente à posição política de Portugal em Macau por altura do incidente subjacente à notícia da revolta de Cantão em Setembro de 1883, sem contudo deixar de mencionar que o seu próprio país, por falta de tratado com a China, não tinha ali cônsul para proteger o macaísta envolvido. Manifestou-se face ao sistema do mandarinato revelando e reforçando a ideia da própria singularidade de Macau. A abordagem à corrupção e ao suborno é inevitável e também o sistema judicial e penal mereceu acutilantes apontamentos críticos. A questão da pirataria mereceu-lhe uma especial atenção já que a estes marginais se referiu com frequência, fazendo referência ao episódio do White Cloud, embarcação que garantia a viagem Macau – Hong Kong – Macau.

Rendido aos detalhes linguísticos – e mesmo afirmando que a língua cantonense produzia algum efeito sonoro menos agradável – reverteu o aproveitamento linguístico de palavras chinesas no léxico português. Também a linguagem nhonha, o dialecto crioulo-português de Macau lhe suscitou comentários inclusive sobre a dificuldade na sua compreensão.

Foi Presidente das Associações dos Engenheiros, Arquitectos e Arqueólogos, assim como de diversas sociedades científicas, literárias e artísticas no país e estrangeiro. Exerceu ainda o cargo de Vice-Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa.

A.L.S.

Bibl.: PEREIRA, J.F. Marques (1995); ALVES, Jorge Santos (1995); DIAS, Alfredo Gomes (2003); LOUREIRO, Adolfo (2000).

Anúncios