Francisco Manuel de Melo Breyner, 3º Conde de Ficalho

FICALHO, Francisco Manuel de Melo Breyner, 3º Conde de (1837, Serpa – 1903, Lisboa), Par do Reino, botânico, literato e arabista amador.

Conde de Ficalho, retrato s/d.
Conde de Ficalho, retrato s/d.

Formou-se na Escola Politécnica em botânica (1855-1860) onde foi um dos estudantes mais distintos e premiados.

Além dos diversos cargos que ocupou, entre outros, os de Conselheiro efectivo de Estado, de Par do Reino e de Mordomo da Casa Real, distinguiu-se ainda, no âmbito científico, como professor de botânica da Escola Politécnica de Lisboa [lente substituto (1864), e professor catedrático da mesma cadeira (1890)] e como Director do Instituto Agrícola, tendo contribuído para o desenvolvimento do Jardim Botânico de Lisboa.

Como homem de letras, notabilizou-se como escritor. Foi amigo de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Oliveira Martins e pertenceu ao grupo dos Vencidos da Vida.

A sua formação em botânica levou-o a interessar-se pelas plantas medicinais vindas do Oriente, em especial da Índia, donde nasceu o seu estudo Garcia de Orta e o seu Tempo (1886), que serviu de preparação aos dois volumes de comentários aos Colóquios dos Simples e Drogas da Índia (1891 e 1895). Por ocasião do 3º Centenário de Camões, escreveu ainda a Flora dos Lusíadas (1880).

O seu interesse pela história da expansão portuguesa está na origem de Viagens de Pero da Covilhã (1898) com importantes achegas históricas sobre a missão deste, a mando de D. João II. Consta que terá deixado um estudo inacabado sobre a presença de Portugueses na Índia.

As suas raízes alentejanas despertaram-lhe ainda interesse pelo passado árabe do país, particularmente marcante no sul de Portugal.

Nesse âmbito foi autor de dois estudos sob o domínio muçulmano “Notas históricas acerca de Serpae “O elemento árabe na linguagem dos pastores alentejanos” (publicados na revista Tradição 1889-1904; reeditados em 1997).

Quando em 1892, a Sociedade de Geografia de Lisboa convocou o X Congresso Internacional dos Orientalistas, o conde de Ficalho, na qualidade de vice-Presidente desta instituição, foi nomeado Presidente do Comité Executivo do Congresso.

Foi sócio efectivo da Academia Real das Ciências e da Sociedade de Geografia.

Condecorado com a Grã-cruz da ordem de Carlos III, de Espanha, foi ainda cavaleiro das seguintes ordens: Leopoldo da Bélgica, Leão dos Países Baixos, Águia Vermelha da Prússia, Legião de Honra de França, S. Maurício e S. Lázaro de Itália e Ernesto Pio de Saxe-Coburgo.

 

E-M.v.K

Bibl.: ARNOSO, conde de (1903); Portugal – Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico (1906), Volume III, págs. 451-452; RAMALHO ORTIGÃO, J.D. (1919); CASSIANO NEVES, J. (1945); RAMOS, J.D. (1996), p. 154; KEMNITZ, E-M. von (2010), p. 507; Idem (2012a), p. 168-169.