Jorge Colaço

COLAÇO, Jorge (1868, Tânger – 1942, Caxias), pintor orientalista, caricaturista e azulejarista.

Fotografia e auto-caricatura, 1905.
Fotografia e auto-caricatura, 1905.

Filho do diplomata e pintor José Daniel Colaço, notabilizou-se nas artes, como desenhador, pintor, caricaturista e azulejarista.

Terminados os estudos liceais em Lisboa, seguiu para Madrid para estudar pintura. Em 1886, graças ao apoio de Conde Daupias, pôde continuar os estudos de pintura, em Paris, com Ferdinand Cormon, mestre de vários bolseiros portugueses. Ali permaneceu durante seis anos, estudando e trabalhando, como caricaturista do jornal Le Figaro. Em 1893, expos uma tela no Salon de Paris.

Na senda da tradição familiar fez uma breve incursão na diplomacia, servindo como vice-Cônsul de Portugal em Tânger (1894-1896), mas, em seguida, optou pela dedicação exclusiva à actividade artística.

Especializou-se em temas árabes e islâmicos ligados à história pátria e à epopeia dos Descobrimentos Portugueses. Foi, entre outras, autor das pinturas do “Filósofo Árabe”, de “O Martírio do Infante Santo em Fez”, de “Nos Campos de Arzila”, da “Conquista da Ilha de Socotorá”, de “D. Sebastião em Alcácer Quibir (1897)” e de “Afonso de Albuquerque em Ormuz”.

Cena Árabe Lápis e carvão sobre papel, assinado, s/d.
Cena Árabe
Lápis e carvão sobre papel, assinado, s/d.

De regresso a Portugal, em Lisboa, expos na 7ª Exposição do Grémio Artístico (1897) e na 1ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes (1901, a 1ª Medalha em caricatura) de que foi co-fundador e Director (1906-1910). Foi também Director do Suplemento Humorístico do Jornal “O Século” (1897-1907). Participou na Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro (1908) obtendo a Medalha de honra.

Distinguiu-se na azulejaria artística, introduzindo inovações a nível de processos de produção e técnicas. Trabalhou, inicialmente e até 1923, na Fábrica de Louça de Sacavém e, depois na Fábrica Lusitânia e na Fabrica Lusitânia de Coimbra.

Realizou vários painéis de azulejos de temática árabe, tais como “A Batalha de Salado” e a “Tomada de Lisboa”, este último distinguido com a Medalha de Ouro na Exposição Universal de Sevilha, em 1929.

Painel de azulejos “Tomada de Lisboa” Exposição Universal de Sevilha, 1929.
Painel de azulejos “Tomada de Lisboa”
Exposição Universal de Sevilha, 1929.

A sua obra de azulejaria está patente em instituições e colecções particulares em Portugal e, no estrangeiro, nomeadamente em Inglaterra (Palácio de Windsor), na Suiça (Sede das Nações Unidas, Genebra) e no Brasil (Teresópolis, Rio de Janeiro e Bahia).

E-M.v.K

Bibl.: FRANÇA, J.A. (1967); Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário do Nascimento de Jorge Colaço, Catálogo, Lisboa, CML, 1968; PAMPLONA, F. (1954, 1ª ed.), vol. I, pp. 228-229; FORJAZ, J. (2004), pp. 123-124; CAMEIRA, I. (2008), pp. 27-31; KEMNITZ, E-M. von (2012 b), p.62.

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