Paulo Hodar

HODAR, Paulo (forma aportuguesada do seu nome em Árabe Bulus al-Haddar), (? – 1780, Coimbra), presbítero maronita e mestre de línguas orientais, estabelecido em Portugal desde os finais dos anos 60 do século XVIII.

Estudou no Colégio Maronita de Roma, onde, muito provavelmente, Fr. Manuel do Cenáculo o conheceu. Mais tarde, esteve em Madrid, com Miguel Casiri, um outro Maronita, a ensinar línguas orientais. Merece ser lembrado o papel relevante que membros desta comunidade de Cristãos orientais tiveram no fomento dos estudos árabes em toda a Europa católica.

Em Portugal, Hodar leccionou, inicialmente, no Real Colégio de N.S. de Conceição de Alcobaça, onde o Abade Geral, Fr. Manuel de Mendonça introduziu, no Plano de Estudos, o ensino de línguas orientais, incluindo o Árabe e o Grego.

Em 1770 mudou-se para Lisboa, onde, a convite de Fr. Manuel do Canáculo e durante quase três anos, ensinou no Convento de N. S. de Jesus. O impacto da sua docência pode ser avaliada pelo facto de ter formado os primeiros arabistas portugueses, entre outros, Fr. António Baptista Abrantes, o primeiro lente português de língua árabe, e Fr. Marcelino José da Silva, futuro bispo de Macau.

Para apoio das aulas, Hodar escreveu os Dialogos Familiares e ainda um outro opúsculo em Latim, o Cathechismus turcico-Arabico. Cum non ita bene editi, neque degesti, tum Linguae turcicae Studiosis sint utilissimi, per rarique, corrector, et in meliorem ordinem transferrebat. D. Paulus Presbyter Maronita (1770). A primeira parte desta obra contém uma espécie de guia de conversação em Árabe e em Turco osmanlica, sendo a segunda dedicada a questões religiosas numa perspectiva de catequese. A osmanlica, uma importante língua de cultura e de diplomacia que, todavia, não suscitou interesse em Portugal.

Em 1773, P. Hodar foi nomeado professor de línguas orientais na Universidade de Coimbra. A sua docência beneficiou, exclusivamente, os estudos hebraicos que floresceram devido à obrigatoriedade do estudo e dos exames desta língua nos cursos de teologia.

E-M.v.K

Bibl.: SALGADO, Fr. V. (1790), pp. 71-73; FIGANIER, J. (1945), passim; GEMAYEL, N. (1984), pp. 596-600; RODRIGUES, M.A. (1985); SIDARUS, A. (1986), p. 39; KEMNITZ, E-M.von (2010), pp. 156-157; 331-334 e 339-341.

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